domingo, 29 de janeiro de 2012

Entrevista com: ESPERANÇA

Com vocês, leitores, nossa primeira convidada:

Repórter: Seja bem vinda, querida Esperança!
Esperança: Muito grata, meu rapaz. Espero (sorriso) que não nos demoremos muito aqui...
César: Não, Senhora. O planejado é fazer sete perguntas, não mais.
Esperança: Muito bem. E qual é sua primeira dúvida, meu caro?
César: O que pensa de ser um sentimento sempre presente no coração dos seres humanos?
Esperança: Ando decepcionada. Transformaram a mim e a outros sentimentos em meros produtos de propaganda, ideológica e existencial...
César: Sente então que não a valorizam como no passado?
Esperança: Pode até ser, em muitos casos. Mas me pego cansada, envelhecida demais, pois para muitos não passo de algo consolador.
César: E a Senhora gostaria de ser motivação para o quê?
Esperança: Ah, para muitos projetos e sonhos. As pessoas querem viver de mim, e esquecem que a vida pede atitudes práticas, concretas. É um peso dependerem somente de mim.
César: Quer dizer que acredita que a Senhora gera acomodação em muitos de nós?
Esperança: É histórico o quanto isso se tornou uma realidade. O ditado não foi muito bem interpretado.
César: Quer dizer que “quem espera, sempre alcança” tem um mau entendimento?
Esperança: Tecnicamente, sim. Esperar sem fazer nada, certamente não vai levar a nada. Mas como tem gente acomodada e que leva as coisas ao pé da letra...
César: Mas há aqueles que sempre renovam a Senhora em suas vidas, concorda?
Esperança: É uma realidade, meu rapaz. Esses, sim, talvez possam ser chamados de esperançosos, porém práticos. Após realizarem, voltam a ter desejo de continuarem a realizar. E é aí que eu entro, renovadamente.
César: Bom, agora uma última questão: a Senhora concorda que a cor verde seja associada à Senhora, em muitas culturas humanas?
Esperança: Tanto faz. Creio que o valor de um sentimento pode ter a cor que se desejar, desde que ele seja legítimo, espontâneo, genuíno, vívido.
César: Estou muito honrado por tê-la entrevistado. Agradeço bastante.
Esperança: Também apreciei sua deferência, meu caro. Mas confesso que ainda prefiro falar ao coração dos homens... Se é que me entende.
César: Sim, e como! (sorriso).

(parte do material elaborado para o Blog, intitulado: Sete Entrevistas Inusitadas, de César Pavezzi.)

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