segunda-feira, 20 de março de 2017

Mais entrevistas inusitadas...

César Pavezzi encara uma de repórter outra vez e resolve conversar com outras sete Senhoras dominadoras do mundo e da vida, em muitos sentidos... Um projeto audacioso porque envolve questionar justamente quem nos dá respostas para todas as angústias e inquietações da Humanidade. Com certeza, a sabedoria das respostas obtidas pode nos levar a inúmeras reflexões sobre o que estamos fazendo com nossa própria realidade e com nosso destino. Com vocês, leitores, nossa sexta convidada:

Senhora Saudade
César Pavezzi: É com muita honra e satisfação que passo a entrevistar um sentimento tão genuíno como a senhora...
Saudade: Eu também agradeço e me sinto honrada por estar aqui.
Repórter: Qual seria a melhor definição da senhora nos corações dos seres humanos?
Saudade: Um misto de sentir falta, melancolia por não ter mais e certa tristeza por conta da distância ou do distanciamento entre pessoas. Às vezes, é complicado me traduzir... Depende das situações envolvidas.
Repórter: É verdade que, curiosamente, muitas pessoas sentem saudade de algo que ainda não viveram ou que gostariam de ter vivido?
Saudade: Pra você ver como sou particularmente intrigante nos corações e mentes dos seres humanos: isso pode acontecer, misturado com uma melancolia interior muito intensa. Acho que são certos desejos ou planos reprimidos que ficam no subconsciente...
Repórter: Para muitos, a senhora é um sentimento bonito, apesar de envolver tristeza e decepção. O que opina sobre isso?
Saudade: Prefiro pensar que sou um sentimento positivo, pois meu efeito é de justamente preservar a lembrança e ativar muitas memórias. Acho até que é mais correto pensar que só se tem saudade daquilo que foi bom e mais positivo.
Repórter: Muitos historiadores e antropólogos avaliam que sua origem vem do chamado banzo africano, já que os negros escravizados sentiam falta de suas terras e parentes, dos quais foram separados e levados para outros lugares. Isso a deixa orgulhosa?
Saudade: Muitíssimo. Saber que sou um sentimento surgido assim, por conta de opressão e violência contra os africanos, me faz pensar no quanto tenho de honra e dignidade, já que lhes despertava memórias e lembranças fortes de suas etnias e famílias, e que, com certeza os ajudou a lutar e resistir, até com esperança de voltar...
Repórter: Resposta muito lúcida. E, a partir disso, como se sente por ser uma palavra existente somente na língua portuguesa, sem tradução literal em outros idiomas?
Saudade: Feliz, sem querer ser exclusivista. Até porque trata-se apenas de uma questão de léxico, já que existem outros termos equivalentes que podem me traduzir em outras nações.
Repórter: Bom, pensando de forma mais racional, qual seria o pior sentimento de saudade que um ser humano poderia vivenciar?
Saudade: Eu creio que muitos confundem, por excesso de apego, saudade com luto... Mesmo quando se tratar da perda física de entes queridos, há que se relativizar o que sentimos, pois é normal ter saudade, mas não ficar cultivando uma tristeza depressiva perene.
Repórter: Para finalizar, que mensagem a senhora poderia deixar aos nossos leitores, com certeza, sempre saudosos de alguém ou de alguma situação de vida?
Saudade: Que me cultivem de maneira leve e positiva, não esquecendo de que sou motor para memórias e lembranças positivas, e que ajudo a preservar sua história de vida e seus bons sentimentos. Abraço de Saudade a todos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Mais uma entrevista inusitada...

César Pavezzi encara uma de repórter outra vez e resolve conversar com outras sete Senhoras dominadoras do mundo e da vida, em muitos sentidos... Um projeto audacioso porque envolve questionar justamente quem nos dá respostas para todas as angústias e inquietações da Humanidade. Com certeza, a sabedoria das respostas obtidas pode nos levar a inúmeras reflexões sobre o que estamos fazendo com nossa própria realidade e com nosso destino. Com vocês, leitores, nossa quinta convidada:

Senhora Amizade
César Pavezzi: É um grande prazer poder colher impressões e opiniões da Senhora. Nossa conversa será, com certeza, muito amigável... rs
Amizade: Não tenha dúvida, meu caro. Estou sempre pronta a influenciar novas relações e interações.
Repórter: Ótimo, então já inicio questionando algo que muitas pessoas já discutiram e versificaram: que a senhora é superior ao Amor. O que pensa?
Amizade: Sou suspeita, mas tenho que concordar. Desde que consideremos que o verdadeiro sentimento de amizade compreende mais, tolera mais, aceita mais e é menos possessivo que o nosso amigo.
Repórter: Quer dizer então que uma relação amiga relativiza certas questões de vínculo e interação entre duas pessoas?
Amizade: Com toda a certeza. Amigos são menos controladores, menos sufocantes do que amantes... Claro está que, mesmo em se tratando de amizade, o tempo e a cumplicidade também vão ditar posturas de respeito e entendimento generosas.
Repórter: E o que observa das ditas amizades “coloridas”, em que se misturam afeto e intimidade sexual?
Amizade: Meu caro, creio que não podem ser chamadas de amizades. Se o que se constrói é um sentimento genuíno, franco, respeitoso, o mesmo deve ser reservado para questões de interior, fraternas, onde não deveriam se misturar certos desejos físicos.
Repórter: Por outro lado, é correto admitir que uma relação amorosa, íntima e companheira, deveria sempre partir de uma amizade verdadeira?
Amizade: Seria o ideal. Amor à primeira vista é algo questionável, já que para se desenvolver uma relação mais profunda, é preciso conhecer os hábitos, a história e os sentimentos íntimos do outro. Para isso é que se pode lançar mão de um tempo de contato, aproximação e descoberta de identificações, através de mim.
Repórter: Ainda existem posturas machistas que não admitem que, por exemplo, um homem tenha amizade com uma mulher, gerando suspeitas de que existe algo mais... Como se sente com relação a isso?
Amizade: Muito triste, até porque para a amizade não deveria haver esse tipo de discriminação. Da mesma forma que falar em estabelecer “amizade” com alguém, arquitetando segundas e terceiras intenções, também me constrange. Este sentimento tem que ser espontâneo, sincero, fluido e respeitoso.
Repórter: Por falar em espontaneidade, existe muita gente que pensa ter uma grande quantidade de amigos, quando na verdade são poucos os que realmente desenvolvem essa postura sincera e afetiva. Aliás, não acha que é possível pensar muito mais em individualismos do que em relações de amizade socialmente corretas?
Amizade: Do jeito que a sociedade está de portando no mundo de hoje, é evidente que existem muitas relações de conveniência, equivocadas e interesseiras, seja por vaidade, seja por questões materiais. É triste perceber que tudo não passa de um jogo de falsidades e superficialidades...
Repórter: Nesse sentido, o melhor é ter poucos amigos, mas autênticos e dedicados, do que arremedos de relações pouco confiáveis?
Amizade: Mais uma vez, tenho que concordar com você. Amigos devem ser poucos e preciosos. E ninguém deve se enganar, porque vale mais um amigo sincero e prestativo do que a ilusão de uma relação que não te motiva nem te reconhece como irmão.
Repórter: Muitíssimo obrigado pelas sérias e importantes orientações, muito grato.

Amizade: Não tem por quê. Desejo a todos que se dediquem mais às suas amizades e reforcem os laços que os unem às pessoas afins.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Uma grande canção (tradução livre)

Graças a minha Vida
(Gracias a la vida)

Violeta Parra

(...)
Graças a minha Vida que já me deu tanto
Me deu o sonoro e o abecedário
Com ele as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão e luz clareando
A rota da alma de quem estou amando

Graças a minha Vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andava cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e vales
E a casa tua, tua rua e teu pátio

Graças a minha vida que já me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando vejo o fruto do cérebro humano
Quando vejo o bom tão longe do mau
Quando vejo o fundo de teu olhos claros

Graças a minha vida que já me deu tanto
Já me deu o riso e já me deu o pranto
Assim eu distingo sorte de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto

E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de vocês que é meu próprio canto
Graças e minha Vida, graças a minha Vida...

sábado, 22 de outubro de 2016

Mais uma entrevista inusitada...

César Pavezzi encara uma de repórter outra vez e resolve conversar com outras sete Senhoras dominadoras do mundo e da vida, em muitos sentidos... Um projeto audacioso porque envolve questionar justamente quem nos dá respostas para todas as angústias e inquietações da Humanidade. Com certeza, a sabedoria das respostas obtidas pode nos levar a inúmeras reflexões sobre o que estamos fazendo com nossa própria realidade e com nosso destino. Com vocês, leitores, nossa quarta convidada:

Senhora Bondade

César Pavezzi: É uma grande satisfação poder falar com a Senhora, tão nobre e tão dignificadora das ações humanas...
Bondade: Eu me sinto honrada, meu caro repórter... E naturalmente irei corresponder às suas expectativas da melhor maneira possível.
Repórter: É possível pensar, como no passado alguns filósofos já propuseram, que o ser humano, na sua natureza intrínseca, é bom?
Bondade: Completamente. Não posso admitir que ele seja concebido com sementes e germes de maldade, na sua consciência e na sua alma. São as experiências e circunstâncias emocionais e sociais que o tornam diferente.
Repórter: Assim considerando, o que o transformaria seriam, então, fatores e acontecimentos externos?
Bondade: Eu acredito que sim. As provas, os desafios, os obstáculos e influências encontrados ao longo de sua jornada nesse mundo, fazem com que o mesmo assuma comportamentos e atitudes que o afastam de sua natureza original.
Repórter: Ou seja, o entorno social e as instituições que o obrigam a assumir papéis auxiliam na perda desse componente tão importante para seu caráter e equilíbrio de sua personalidade?
Bondade: Este é um raciocínio muito acertado. Pressionado por tantas exigências do meio social, e por dificuldades internas de equilibrar posturas e decisões a serem tomadas, o ser humano comete atos às vezes abomináveis, impensáveis num indivíduo de sua espécie.
Repórter: Como poderia ocorrer de forma mais coerente a formação de valores positivos, como a senhora, e aquele equilíbrio entre personalidade e papéis sociais inerentes ao estar nesse mundo?
Bondade: Na minha terna e carinhosa visão, dois fatores essenciais se perdem durante a vida de um indivíduo: a maneira como ele deveria vivenciar o respeito dentro da coletividade e seu afastamento de uma crença espiritual. Uma consciência cultivada desses dois aspectos levaria a um entendimento melhor do que é ser bom, com empatia e responsabilidade moral.
Repórter: Poderia nos explicitar algum exemplo referente ao respeito, enquanto prática coletiva?
Bondade: Claro. Respeitar suas limitações, suas dificuldades, sua condição de ser em constante mudança e crescimento é um sentimento que pode e deve ser transferido, em termos de reciprocidade, a todos os outros que são seres humanos. Ao invés disso, o que se vê em muitos povos e comunidades é somente egoísmo, vaidade, vícios, imediatismos pessoais, dissimulações.
Repórter: Em função disso, não é difícil entender aquele afastamento de uma crença espiritual, já que não existem compromissos morais?
Bondade: Perfeitamente. Se o ser humano se volta absolutamente para ele e para suas necessidades físicas e interesses materialistas, a possibilidade de acreditar em questões espirituais e seus desdobramentos acaba se tornando muito remota. E como sentir bondade se você não se reconhece no outro, enquanto semelhante?
Repórter: Bem, para finalizar, que conselho a senhora daria para aquelas pessoas que, apesar de todas as questões de nosso mundo, ainda tentam manter um mínimo da senhora em seus corações?
Bondade: Para que se mantenham assim, pois além de mim, não pode faltar aos seres humanos outro sentimento primordial que pode preservar sua alma: o amor.

Repórter: Extremamente agradecido e emocionado com suas palavras profundas e luminosas.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Uma letra e uma canção inspiradoras...

Brincar de Viver
(Guilherme Arantes)

Quem me chamou
Quem vai querer voltar pro ninho
Redescobrir seu lugar
Pra retornar e enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar

Você verá que é mesmo assim
Que a história não tem fim
E continua sempre que você
Responde "sim" à sua imaginação
À arte de sorrir cada vez que o mundo diz "não"

Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
Não esquecer, ninguém é o centro do universo
Assim é o maior o prazer

(...)
E eu desejo amar a todos que eu cruzar
Pelo meu caminho...
Como sou feliz, eu quero ver feliz
Quem andar comigo, vem..

(Interpretada lindamente por Maria Bethânia)




domingo, 15 de maio de 2016

Mais entrevistas inusitadas...

César Pavezzi encara uma de repórter outra vez e resolve conversar com outras sete Senhoras dominadoras do mundo e da vida, em muitos sentidos... Um projeto audacioso porque envolve questionar justamente quem nos dá respostas para todas as angústias e inquietações da Humanidade. Com certeza, a sabedoria das respostas obtidas pode nos levar a inúmeras reflexões sobre o que estamos fazendo com nossa própria realidade e com nosso destino. Com vocês, leitores, nossa terceira convidada:

Senhora Sexualidade
César Pavezzi: É com satisfação que entrevisto uma grande força que move as pessoas desse mundo...
Sexualidade: A mim também pode ser prazeroso expor meus conceitos e influências que dominam muitas culturas humanas...
Repórter: Então seria conveniente expor por que a Senhora pode ser, ao mesmo tempo, uma fonte de energia criadora positiva e, para muitos, justamente aquilo que degenera, que vicia, que pode até destruir?
Sexualidade: Depende do ponto de vista de cada um, em especial se formos levar em conta questões moralistas ou culturais de cada grupo social. O que para alguns é necessário apenas para procriação, para outros pode representar apenas uma fonte de prazer a mais.
Repórter: Mas ficar exercitando-a continuamente apenas pela busca do prazer físico, de sensações, não pode representar algo vicioso e distanciado de envolvimento emocional, nas relações humanas?
Sexualidade: Pode ser... O ser humano é vaidoso, em muitos casos prepotente, e para não parecer fraco, se autoafirma justamente através de mim... Se não há equilíbrio entre aquela busca e o desenvolvimento de relações sentimentais, é por conta desse narcisismo recorrente nos meios sociais.
Repórter: Já que falou em questões sentimentais, o que pensa dessa atitude das pessoas de primeiro levar em conta a performance física, sem que o lado emocional seja valorizado?
Sexualidade: Tem coisas que acontecem de forma até inconsciente, já que a energia que desperto tem raízes primitivas e animalescas. Nesse sentido, humanos e animais são muito parecidos: querem se exibir, se expor, tentar conquistar pela aparência e pela sensualidade, em rituais e manifestações às vezes exagerados.
Repórter: Por falar em comportamento inconsciente, a senhora acredita nas teorias psicanalíticas que atribuem ao inconsciente certos desejos sexuais, considerados tabu em muitas sociedades?
Sexualidade: Se imaginarmos que essa força que me constitui pode sair de controle quando não queremos racionalizar ou reprimir certos conceitos e ideias considerados moralmente doentes, em muitos aspectos as teorias estão corretas.
Repórter: Não lhe parece assustador considerar que muitos humanos, por se deixarem levar emocional ou psicologicamente pela sua influência, tenham seus sentimentos rebaixados a meros instintos?
Sexualidade: Eis o campo farto para eu me desenvolver de forma equivocada e pouco saudável: uma mídia que se aproveita desses sentimentos das pessoas, meios de comunicação que sugerem, divulgam e incentivam meu exercício desenfreado, e seres humanos totalmente suscetíveis a essas manifestações de sensualidade aberta.
Repórter: E quando tudo isso se transforma numa força destruidora de relações amorosas?
Sexualidade: Há que se questionar se são relações realmente amorosas... Porque não podemos confundir uma paixão física, baseada em sensações e prazeres corporais, com sentimento genuíno de amor. Os dois podem até acontecer juntos, o que seria ideal. Mas um relacionamento construído apenas sobre sexo está fadado ao fracasso, com certeza.
Repórter: Para concluir nossas reflexões, o que pensa de si mesma quando o ser humano chega à maturidade?
Sexualidade: É o melhor momento para saber, com experiência, tirar o melhor proveito do meu exercício. Até porque, muito da sexualidade está na mente. Ou seja, há muito mais para explorar, a partir de mim, do que o sexo genital. O tempo pode mostrar...

Repórter: Muito grato pelas palavras lúcidas e interessantes.

domingo, 3 de abril de 2016

Versão ao português de "Amores Extraños" (trechos):

(...)
É a espera de um telefonema
A aventura do não lógico
A loucura do que é mágico
Um veneno sem antídoto
A amargura do efêmero
Porque ele foi embora

(...)
São amores que somente em nossa idade
Se confundem em nossos espíritos
Te interrogam e nunca te deixam ver
Se serão amor ou só prazer

(...)
Amores, tão estranhos que vêm e se vão
Que em teu coração sobreviverão
São histórias que sempre contarás
Sem saber se são de verdade

São amores frágeis
Prisioneiros, cúmplices
São amores problemáticos
Como tu, como eu
Tão estranhos que vivem negando-se
Escondendo-se de nós dois...

César Pavezzi

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Um poema de Flora Figueiredo, poetisa brasileira contemporânea:

Expectativas

O vento anda ficando mentiroso:
prometeu trazer você - não trouxe,
de dizer o porquê - não disse;
passou com pressa rumo ao horizonte.
Já não tem importância
que cometa outra vez
um ato de inconstância.
Aprendi a esperar.
Se ventos são capazes de levar embora,
a qualquer hora
também serão capazes de fazer voltar.

(Versão ao espanhol)

El viento se anda poniendo mentiroso:
prometió traer a usted - no trajo,
de decir el porqué - no dijo;
pasó con prisa rumbo al horizonte.
Ya no tiene inportancia
que cometa otra vez
un acto de inconstancia.
Aprendi a esperar.
Si vientos son capaces de llevar a uno,
a cualquier hora
también serán capaces de hacer volver.

César Pavezzi

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Novas entrevistas inusitadas

César Pavezzi encara uma de repórter outra vez e resolve conversar com outras sete Senhoras dominadoras do mundo e da vida, em muitos sentidos... Um projeto audacioso porque envolve questionar justamente quem nos dá respostas para todas as angústias e inquietações da Humanidade. Com certeza, a sabedoria das respostas obtidas pode nos levar a inúmeras reflexões sobre o que estamos fazendo com nossa própria realidade e com nosso destino. Com vocês, leitores, nossa segunda convidada:

Senhora Solidariedade
César Pavezzi: É com grande contentamento que tenho oportunidade de fazer esta entrevista com Vossa Senhoria... E já gostaria de saber como a senhora quer ser entendida, a partir do seu nome?
Solidariedade: Meu nome se relaciona com reciprocidade, já que devo funcionar em conjunto com ela. Ou seja, que todos entendessem que ninguém deveria ser ou estar sozinho neste mundo, em nenhum tipo de circunstância...
Repórter: É possível então pensar que muitos seres humanos não compreendem a recíproca e, com isso, se tornam menos solidários?
Solidariedade: Sob determinados pontos de vista, sim. Se o exercício solidário depende de um outro, com necessidades e desejos semelhantes e universais, é necessário relacionar minha postura com a desse outro, para o início de um sentimento de empatia.
Repórter: Pode-se dizer então que falta muito desse exercício no mundo de hoje?
Solidariedade: Infelizmente, tenho que concordar com seu questionamento. Não só falta, como também inexiste a consciência de que, as diferenças sociais, culturais e linguísticas não deveriam significar barreiras para esse exercício, já que solidariedade pressupõe reconhecer que todos somos humanos, vivendo no mesmo planeta.
Repórter: Mas essa falta de consciência não está ligada aos processos históricos que sempre mostraram a humanidade mais preocupada com questões materiais, menosprezando fatores emocionais e sociais, importantes quando se pensa em valores morais?
Solidariedade: Absolutamente correto. Líderes de várias épocas, em sua maioria, sempre buscaram satisfazer questões egoístas e territoriais, esquecendo-se completamente da necessidade do diálogo, das negociações coletivas, de acordos pacíficos entre povos.
Repórter: A senhora poderia, a título de exemplificar, discorrer sobre um fato simples, envolvendo solidariedade?
Solidariedade: Com satisfação. Imagine a relação entre uma criança e uma plantinha, em que foi trabalhada a noção de que ambos são seres vivos e dependem da água para sobreviver, como necessidade básica. Com certeza, essa criança vai se solidarizar com a vegetação, em sentido mais amplo, sabendo que a chuva e o uso consciente desse líquido são essenciais para a vida de ambos.
Repórter: Bela e pertinente elucidação. Nessa mesma linha, a senhora imagina, então, que solidariedade é um sentimento que pode ser ensinado?
Solidariedade: Pode e deve, desde a mais tenra idade. Mas não creio que isso precise ficar a cargo somente de instituições escolares, não. Assim como outros sentimentos e valores, é um sentimento que a família precisa desenvolver, tanto quanto o respeito pelas diferenças.
Repórter: E para concluirmos esse momento de sábias reflexões, haveria uma fórmula para que a senhora se sobressaísse nas relações humanas, nos mais diversos níveis?
Solidariedade: Creio que não há conselhos ou prescrições para um sentimento espontâneo e sincero. O que me parece positivo observar é que, desde pequenas atitudes até grandes projetos que envolvem a mim, é o efeito multiplicador que isso pode deflagrar, formando grandes núcleos solidários, sem as barreiras que já citei.

Repórter: Foi muito inspirador falar com a senhora. Muito grato. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Mais entrevistas inusitadas...

César Pavezzi encara uma de repórter outra vez e resolve conversar com outras sete Senhoras dominadoras do mundo e da vida, em muitos sentidos... Um projeto audacioso porque envolve questionar justamente quem nos dá respostas para todas as angústias e inquietações da Humanidade. Com certeza, a sabedoria das respostas obtidas pode nos levar a inúmeras reflexões sobre o que estamos fazendo com nossa própria realidade e com nosso destino.

Com vocês, leitores, nossa primeira convidada:
Senhora Justiça
Repórter: É uma grande honra entrevistar essa grande dama da sociedade humana...
Justiça: Agradeço e acho justo que possa expor certos erros e equívocos que cometem os homens quando pretendem me aplicar.
César: Então podemos começar com uma grande questão: qual a maior injustiça cometida pela espécie humana durante sua história?
Justiça: O fato de não considerar que a verdadeira justiça está costurada com princípios morais, e bastante racionais.
César: Quer dizer isso que o que se pratica carece de fundamento racional, e a balança geralmente pende para o lado emocional dos julgamentos?
Justiça: Na maior parte das vezes, sim. Falar em equilíbrio, em algo justo e ponderado, requer sempre levar em conta fundamentos racionais e, consequentemente, morais, quando se julga uma causa.
César: E o que opina sobre ser representada pelo símbolo de uma dama vendada, segurando a balança, já que falamos em equilíbrio?
Justiça: Muitos interpretam mal o fato de me considerarem “cega”. Todos deveriam ser iguais quando se trata de ter consciência dos seus atos, e não fecharem os olhos para certas questões num julgamento equilibrado e moralmente correto.
César: Por falta então de um julgamento mais racional e sustentado em questões morais, a senhora acha que muitos foram condenados injustamente?
Justiça: Isso é evidente ao longo de toda a história da humanidade. Nunca existiram tantos mártires que, só foram compreendidos, depois de erroneamente julgados e mortos.
César: Então podemos pensar que os muitos defensores de causas nobres, bem como líderes de movimentos sociais, tornaram-se heróis somente por conta de que se cometeu injustiça com suas mortes?
Justiça: Na maior parte dos casos, sim, é uma triste constatação. Ou seja, somente foram reconhecidos como homens justos por conta da injustiça que fizeram com os mesmos.
César: Nesse sentido, de que valem então as leis, os estatutos, os regulamentos e as regras de conduta, quando prevalece uma justiça enganosa exercida por questões de poder e interesses materialistas?
Justiça: Quase nada, ou uma mera representação de papeis. Enquanto o ser humano não entender que ser justo é repensar seus valores morais, e exercê-los na prática, reconhecendo e respeitando os valores do outro, tudo isso não passa de mero discurso vazio.
César: E já que a humanidade a trata dessa forma enganosa e triste, como a senhora se sente no mundo de hoje?
Justiça: Como sempre me senti em muitos momentos e espaços desse mundo: maltrapilha, descalça, cansada, tristemente exercida por muitos aproveitadores, interesseiros e egoístas, cujos valores morais são hipócritas, demagógicos e extensamente duvidosos. Mas ainda confio que os poucos justos podem fazer a diferença na vida.

Repórter: Não podia esperar conclusão mais lúcida e justa de sua parte. Muito grato pelas palavras sábias e oportunas. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Um novo poema para quebrar o silêncio dos dias...

Fala comigo

Fala comigo,
Mesmo eu estando em silêncio
Fala comigo
Ainda que eu não responda
Fala comigo
Pra que eu possa te ouvir, calado
Fala comigo
Porque você não sabe o que grita dentro de mim

Fala comigo
Porque quando você não diz nada
Eu me sinto mais sozinho
Fala comigo
Porque meus olhos e meu coração respondem
Mesmo que você não perceba
Fala comigo
Porque eu sei o que não preciso dizer
Pra você entender aquilo que já está dito

Fala comigo
Para expressar coisas em palavras
Coisas que você encontra num gesto meu
Fala comigo 
Porque quando você não emite sons
Minha alma fica apertada de silêncio
Fala comigo
Porque tua voz me acalma dentro do caos
E nosso silêncio é nossa melhor linguagem.

César Pavezzi


"O direito à literatura"(fragmento)

Apresentamos, de forma objetiva, a visão de Antônio Cândido, grande historiador, analista e professor de Literatura: (...) "Chamarei de...